" Quando me ponho a compor frases e rimas, não sou mais eu a pensar, mas a Alma de Poeta que cisma em fazer giros no ar..."


quarta-feira, 30 de outubro de 2019


DE DORES E DE VERSOS

Meu sentimento
É brasa acesa
De feridas abertas
Cálidos lamentos
Atormenta e cisma.

Meu pensamento
É gelo afiado
Paralisa o tempo
Contrai o tino
Corta e lancina.

Minha palavra
É água corrente
Refresca a chaga
Suaviza as arestas
Acalenta a alma
Em líricas rimas.
   Bel Plá, Alma de Poeta

domingo, 12 de julho de 2015


CASTELO IMAGINÁRIO
                  
Quando a solidão vem me visitar,
Recebo-a com toda cortesia:
Convido para me acompanhar,
Ao castelo da minha fantasia.

Subimos pelo torreão de ouro,
Ao salão lilás da minha saudade.
Aqui está o meu maior tesouro
Que levarei para eternidade.

No salão verde da esperança,
Em estojos, ali estão guardados,
Os anseios que tive em criança,
Sonhos que jamais foram externados.

No salão cor de rosa dos brinquedos,
Naquele pequeno relicário,
Estão guardados todos meus segredos.

E, no salão vermelho da emoção,
Escondi, no precioso sacrário,

A fonte da minha inspiração!
           Reyzina Vianna Ramos

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Encontro ao luar


            Naquela noite de plenilúnio, vultos foram vistos sentados em círculo à beira da lagoa. Aquele estranho grupo causava curiosidade aos olhares das pessoas locais, deixando-as de dúvidas repletas.
            Olhavam o céu absortos, expectantes, intrigados...
            Seriam bruxos? Seriam cientistas? Seriam almas inquietas?
            A lua ia surgindo devagar, descortinando cada um dos véus dos seus mistérios, contando ao pé do ouvido juras secretas.
            Quem os reuniu ali? Vieram de onde? Estariam conspirando?
            Há quem tenha vislumbrado, na noite anterior,  num relance, as Musas do Olimpo, ornadas com seus melhores vestidos, distribuindo envelopes brancos com fitas prateadas, cobrindo com seus véus suas faces diletas.
Puro devaneio...
Seus melhores versos nasciam ali, soprados pela brisa mansa e aquecidos pela barra derradeira no horizonte em linhas discretas.
Em seu êxtase lírico, eles se sabiam, se conheciam, se revelavam...
Não eram bruxos, não eram cientistas, não eram almas inquietas.
Não ofereciam perigo, mas naquela noite nenhuma viva alma dormiria tranquila...
            ... eram poetas!

                                                Bel Plá

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Poesia

GARRA

Gotas de suor,
cálidas,
no rosto são brasas,
ao rolar,
espalham-se,
evaporam,
a imagem do filho
de faces coradas
transforma a brasa
em garra.
Bel Plá

sábado, 28 de dezembro de 2013

Laços

Doce acalanto esses teus abraços...
Neles eu me acalmo,
e me esqueço
do lá fora.
Neles eu me perco
e deles eu preciso
e eles eu quero
e peço.
Enquanto me dás,
eu me entrego
no abandono maior
que só tu me faz.
Horas doces, ao teu lado,
eu passo
e quero
e peço.
E nos teus braços,
é tanta loucura,
que a vida lá fora
não tem mais sentido
nessas doces horas
que ao teu lado passo
      Bel Plá

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Milagres...

... um pedaço do paraíso

No recôndito de montes e estradinhas
descortina-se uma nova paisagem
um pedaço do paraíso
onde saguis pulam de galho em galho
e o peixe-boi repousa
sossegado e protegido
no rio Tatuamunha.
Nas estradas com imensos coqueirais
a suave brisa
balança folhas que encenam
estranhas danças
e embalam sonhos urdidos em segredo.
O silêncio repleto de gorjeios,
farfalhos e rebentações
torna imposível não acreditar em Milagres.
O mar verde esmeralda
canta ao amanhecer
e quando a maré baixa
deixa os corais à mostra,
múltiplas formas e cores
delatam a vida
que segue escondida,
guardada e segura
nas mãos de Deus.
          Bel Plá
            Lilás

sábado, 30 de novembro de 2013

Prosa Poética

          TECENDO OS FIOS DA VIDA

"Eu te olho... E nesse olhar está contida uma vida inteira.
Como se eu viesse te olhando... por toda a eternidade."

"Quando éramos crianças e víamos nossa mãe sentar na beira da nossa cama, não precisava muitas explicações: tínhamos certeza que a partir daquele instante a dor ía passar.
Hoje sabemos que ela estava rezando."

"Silenciar é aquietar as vozes do mundo exterior, muitas vezes gritantes e apegadas ao mundo material e permitir que a voz do nosso interior, que é divina, fale mais alto e nos conduza ao caminho correto."

"Nos cabe viver pelo próprio ato de viver. Celebrar a vida enquanto estamos estourando os fogos, enquanto estamos peleando, enquanto estamos buscando, enquanto estamos elaborando o resultado de um fracasso, enquanto estamos planejando uma volta por cima... Se vamos ter sucesso no final? Quem disse que existe final? Esta é apenas uma das etapas. Viva!"
Bel Plá - Coletânea nº 20 - Centro Literário Pelotense/2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Ciranda dos Pagos

Minha homenagem ao meu Pago no mês farroupilha, faz parte da Ciranda dos Pagos
http://centroliterariopelotense.blogspot.com.br/


Cisma de tropeiro

Fogo de chão... brasa acesa,
um tropeiro a cismar.
Aqui tão longe dos pampas,
tem horas que a saudade é tanta
e a vontade de voltar.
Madrugada, campereava
no lombo do seu matungo,
na chuva ou na geada,
não era dono de nada,
mas tinha um pedaço de chão.
Era uma vida bem simples
peleando de sol a sol.
Não tinha luxo nem renda,
nasceu naquela fazenda,
seu pai era o peão.
Cresceu, aprendeu a lida,
seguiu os passos do pai.
Mas o cheiro do progresso
seduzindo aquele moço
traçou rumos desiguais.
Na cidade o passo é outro,
desacorçoado então
Vê sua vida se findar.
É só um tropeiro a cismar...
- Por que deixei meu rincão?
Bel Plá

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Gota d'agua

Meu nome é gota,gota d'água,
minha vista anda turva,
ando meio desorientada.
Nasci H2O,
mas minha composição
faz tempo foi alterada.
Minha função
é aplacar a sede,
mas minha gente
vai ficar desidratada.
Continuo com volume,
mas minha essência,
que outrora era conservada,
de tanto destrato,
e a lei manipulada,
me deixou com cheiro ruim,
com fama de vilã:
- Cuidado, pode estar infectada!
Se teu corpo é pura água,
se é azul teu planeta,
começa com uma gota,
valoriza essa riqueza
e a Vida vai ser preservada!
Bel Plá
Foto: Bel Plá
Camping das Pedras - Arroio do Padre
Alma de Poeta

terça-feira, 16 de abril de 2013

Os legítimos herdeiros

Na beira da estrada,
eles vendem cestas...
São muitos, de tamanhos vários.
Filhos do anonimato,
da necessidade...
Herdeiros de uma grande nação,
não sabem disso...
Pois nos livros de História,
são os selvagens,
os preguiçosos,
os indomáveis.
Inicialmente a arma de fogo,
depois a catequização,
hoje reféns da invasão.
Sua água está poluída,
sua floresta, reduzida a reservas,
seu corpo, de hábitos naturais,
hoje é exposto a enfermidades várias.
Ontem os donos da terra,
hoje seus filhos correm atrás dos carros,
na beira da estrada,
em busca de uns trocados.
Será que sonham em um dia tê-la de volta?
Bel Plá

domingo, 31 de março de 2013

Poema de outono


Cheiro de fruta madura,
é outono
no meu coração.
Vejo as folhas caídas,
sinto a leveza do vento,
a Vida seguindo seu ciclo.
Assim como as árvores,
reciclo meus ganhos,
meus planos,
meus sentimentos.
Tomo a forma latente,
mudo o ritmo,
me acalmo
e adormeço.
e nesse aparente sossego,
a Vida,
que é vibrante,
liberta-se das minhas amarras,
e elabora
novos brotos,
renovados,
para resplandecer na primavera!
(Bel Plá)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Minhas saudades




Lá por entre as coxilhas

moram as minhas saudades.


Frágeis como as nuvens


que passam,


densas como o arvoredo

que balança com o vento,

imponente.

Livres para voar,

lançam-se nas montanhas

e alcançam o infinito.

Minhas saudades não choram...

(...)

silenciosas,

oram,

repousam,

no seu lugar de paz.


Bel Plá-

terça-feira, 23 de outubro de 2012

imagem

OUTUBRO ROSA

Outubro rosa, na luta contra o câncer de mama.
Imagem cedida por Universitário Rugby Santa Maria 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Aprendizados

Se a noite é escura,
Se a pedra é dura,
Nem quero pensar.
Sei que chega a alvorada,
E vou pegar a estrada.
Aprendi a caminhar!
Bel Plá (sexteto)

domingo, 17 de junho de 2012

Crônica

COZINHANDO COM A MINHA FILHA

      Era um dia que parecia igual aos outros. Talvez até fosse ser mais chato que muitos. Uma pequena melancolia ... Eu nem sabia o que ia fazer pro almoço... Ela apareceu e começamos a conversar. E disse que ía fazer macarrão... Não sei por que, mas de repente me deu vontade de fazer também.
      Tem gente que, quando está melancólica, melhora fazendo umas compras. Eu conheço o efeito psicológico que faz pegar uma faca e picar uma cebola. E montar todo aquele ritual de quem está preparando uma obra de arte. Falta espaço pra tanta coisa que a gente vai espalhando, tigelinhas, especiarias, cascas de vegetais...
      Enquanto a massa cozinhava, começamos a preparar o molho. Fazer um molho é como compor uma música. Tem o barulhinho da faca na tábua, da cebola fritando na panela, a colher de pau esfregando no fundo enquanto se acrescenta pinguinhos de água fervendo para encorpar. Mas é mais do que isso, a gente entra num compasso ritmado, dança ao redor do fogão, e à medida que o sabor vai apurando, vai liberando notas no ar. Me sinto como se levitasse junto com o vapor que sai pelo cantinho da tampa.
      Como ela terminou primeiro, exibia orgulhosa o conteúdo vermelhinho na panela. Que me aguardasse, o meu não ia ficar atrás, o fato é que observar o resultado final do prato dela me dava mais água na boca. Chegava a sentir o cheirinho que vinha de seu fogão. Uma ria da outra quando caía algum utensílio no chão ou quando a outra queimava o dedo no vapor. Ela então borrifou o queijo ralado por cima e foi almoçar, enquanto eu dava os últimos retoques na minha iguaria.
      Incrível como aquele dia tomou outro rumo, adquiriu outro colorido, fazia tempos que a gente não fazia nada juntas. E a cozinha havia nos mantido por um bom tempo ali, ligadinhas, num mesmo compasso. Nosso macarrão com molho aqueceu nosso dia. Do outro lado da web cam, a imagem da minha filha comendo seu prato de macarrão fez com que, ao menos naquele dia, a distância parecesse bem menor, quase inexistente, só dois passos entre o balcão da pia e a bancada da outra parede onde coloco o laptop quando vou cozinhar.

Bel Plá.

sábado, 28 de abril de 2012

Poesia




       FALTA

Comi a maçã,

mas não me saciei:

falta um pedaço.

Me tapei,

mas não me aqueci:

falta um pedaço.

Ouvi a canção,

mas não dancei:

falta um pedaço.

Fiquei com fome,

frio,

e sem inspiração:

faltava um pedaço...

domingo, 15 de abril de 2012

Papos de cozinha


"Dos afagos que um ser humano pode fazer ao outro, dar de comer é o mais genuíno."


Meu novo blog, com receitas pessoais e muitas histórias...
COZINHA ARTEIRA

"Cozinha não é só lugar de cozinhar, é lugar de estar. E de muito papo. Por estas bandas, regado a um bom chimarrão.

Mas também tem caipirinha, tem temperos, sobremesa... bom... tem muito mais.

Vamos contando coisas que rolam pelas cozinhas da vida, daqui, de acolá, de bem mais acolá. Todo mundo tem histórias pra contar na cozinha. Tem até gente que escreve em livro...
http://cozinhaarteira.blogspot.com.br/p/papos-de-cozinha.html


                      

sábado, 7 de abril de 2012

pensamento

    
 "Silenciar é aquietar as vozes do mundo exterior, muitas vezes gritantes e apegadas ao mundo material e permitir que a voz do nosso interior, que é divina, fale mais alto e nos conduza ao caminho correto." Bel Plá