" Quando me ponho a compor frases e rimas, não sou mais eu a pensar, mas a Alma de Poeta que cisma em fazer giros no ar..."


domingo, 12 de julho de 2015


CASTELO IMAGINÁRIO
                  
Quando a solidão vem me visitar,
Recebo-a com toda cortesia:
Convido para me acompanhar,
Ao castelo da minha fantasia.

Subimos pelo torreão de ouro,
Ao salão lilás da minha saudade.
Aqui está o meu maior tesouro
Que levarei para eternidade.

No salão verde da esperança,
Em estojos, ali estão guardados,
Os anseios que tive em criança,
Sonhos que jamais foram externados.

No salão cor de rosa dos brinquedos,
Naquele pequeno relicário,
Estão guardados todos meus segredos.

E, no salão vermelho da emoção,
Escondi, no precioso sacrário,

A fonte da minha inspiração!
           Reyzina Vianna Ramos

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Encontro ao luar


            Naquela noite de plenilúnio, vultos foram vistos sentados em círculo à beira da lagoa. Aquele estranho grupo causava curiosidade aos olhares das pessoas locais, deixando-as de dúvidas repletas.
            Olhavam o céu absortos, expectantes, intrigados...
            Seriam bruxos? Seriam cientistas? Seriam almas inquietas?
            A lua ia surgindo devagar, descortinando cada um dos véus dos seus mistérios, contando ao pé do ouvido juras secretas.
            Quem os reuniu ali? Vieram de onde? Estariam conspirando?
            Há quem tenha vislumbrado, na noite anterior,  num relance, as Musas do Olimpo, ornadas com seus melhores vestidos, distribuindo envelopes brancos com fitas prateadas, cobrindo com seus véus suas faces diletas.
Puro devaneio...
Seus melhores versos nasciam ali, soprados pela brisa mansa e aquecidos pela barra derradeira no horizonte em linhas discretas.
Em seu êxtase lírico, eles se sabiam, se conheciam, se revelavam...
Não eram bruxos, não eram cientistas, não eram almas inquietas.
Não ofereciam perigo, mas naquela noite nenhuma viva alma dormiria tranquila...
            ... eram poetas!

                                                Bel Plá

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Poesia

GARRA

Gotas de suor,
cálidas,
no rosto são brasas,
ao rolar,
espalham-se,
evaporam,
a imagem do filho
de faces coradas
transforma a brasa
em garra.
Bel Plá

sábado, 28 de dezembro de 2013

Laços

Doce acalanto esses teus abraços...
Neles eu me acalmo,
e me esqueço
do lá fora.
Neles eu me perco
e deles eu preciso
e eles eu quero
e peço.
Enquanto me dás,
eu me entrego
no abandono maior
que só tu me faz.
Horas doces, ao teu lado,
eu passo
e quero
e peço.
E nos teus braços,
é tanta loucura,
que a vida lá fora
não tem mais sentido
nessas doces horas
que ao teu lado passo
      Bel Plá

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Milagres...

... um pedaço do paraíso

No recôndito de montes e estradinhas
descortina-se uma nova paisagem
um pedaço do paraíso
onde saguis pulam de galho em galho
e o peixe-boi repousa
sossegado e protegido
no rio Tatuamunha.
Nas estradas com imensos coqueirais
a suave brisa
balança folhas que encenam
estranhas danças
e embalam sonhos urdidos em segredo.
O silêncio repleto de gorjeios,
farfalhos e rebentações
torna imposível não acreditar em Milagres.
O mar verde esmeralda
canta ao amanhecer
e quando a maré baixa
deixa os corais à mostra,
múltiplas formas e cores
delatam a vida
que segue escondida,
guardada e segura
nas mãos de Deus.
          Bel Plá
            Lilás

sábado, 30 de novembro de 2013

Prosa Poética

          TECENDO OS FIOS DA VIDA

"Eu te olho... E nesse olhar está contida uma vida inteira.
Como se eu viesse te olhando... por toda a eternidade."

"Quando éramos crianças e víamos nossa mãe sentar na beira da nossa cama, não precisava muitas explicações: tínhamos certeza que a partir daquele instante a dor ía passar.
Hoje sabemos que ela estava rezando."

"Silenciar é aquietar as vozes do mundo exterior, muitas vezes gritantes e apegadas ao mundo material e permitir que a voz do nosso interior, que é divina, fale mais alto e nos conduza ao caminho correto."

"Nos cabe viver pelo próprio ato de viver. Celebrar a vida enquanto estamos estourando os fogos, enquanto estamos peleando, enquanto estamos buscando, enquanto estamos elaborando o resultado de um fracasso, enquanto estamos planejando uma volta por cima... Se vamos ter sucesso no final? Quem disse que existe final? Esta é apenas uma das etapas. Viva!"
Bel Plá - Coletânea nº 20 - Centro Literário Pelotense/2013